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Hidrocefalia: uma visão atual
Samuel Tau Zymberg*

Hidrocefalia, conhecida como “água na cabeça”, é uma doença que ocorre em crianças e adultos. Trata-se do acúmulo anormal de líquido céfalo-raquiano nas cavidades cerebrais chamadas ventrículos (figura). As causas podem ser congênitas (malformações) ou adquiridas (infecções, após hemorragias, degenerações). A hidrocefalia congênita está presente em quatro a dez casos para cada 100.000 nascidos vivos e pode se manifestar por causas genéticas e não-genéticas.

Quando ocorre na primeira infância, o crânio é capaz de se distender, ocasionando um alargamento da cabeça. Como isso não ocorre no adulto, nesse caso, o aumento da pressão do líquido se transmite ao cérebro e nervo óptico provocando sintomas de dor de cabeça, alterações visuais e náuseas.

Há vários tipos de hidrocefalia mas a melhor forma de simplificarmos seu conhecimento é dividindo-as entre obstrutivas e não-obstrutivas. As obstruções podem ocorrer por pequenas malformações e tumores. O segundo tipo ocorre por deficiência de absorção que é gerada após infecções ou hemorragias no sistema nervoso central. Existe ainda a hidrocefalia do idoso também chamada de hidrocefalia de pressão normal, que tem um quadro clínico bem distinto (deficiência para andar, incoordenação motora e deficiência de memória).

Sabemos que não há tratamento medicamentoso para as hidrocefalias, nesse caso apenas paliativo. O tratamento que visa solucionar o problema é tradicionalmente cirúrgico. Por volta de 1950, foram desenvolvidas nos Estados Unidos as válvulas para drenagem ventricular. Desde este período, tornou-se o tratamento de escolha para todas as formas conhecidas de hidrocefalia. Infelizmente sabemos hoje que as válvulas, embora muitas vezes necessárias, trazem consigo um índice elevado de complicações como infecções, obstruções, desconexões e disfunções. Algumas séries da literatura médica reportam até 50% de complicações nos primeiros 2 anos de implante. No entanto, devemos saber que as válvulas passaram por um processo de evolução ao longo dos anos em diversos aspectos como projetos de desenho, materiais mais compatíveis e associados a antibióticos e a possibilidade de reprogramação da pressão de drenagem.

Nesse contexto, a partir de 1990 e à custa da tecnologia, ressurgiu uma técnica que foi tentada -sem sucesso- desde os anos 20: a Neuroendoscopia. Com este método, podemos tratar diversas formas obstrutivas de hidrocefalia, realizar a abertura e retirada de cistos cerebrais, biopsias ou mesmo retirar tumores ventriculares pequenos com mínima manipulação cerebral. Graças às técnicas de neuroendoscopia, podemos deixar cerca de 80% dos pacientes que tem hidrocefalia obstrutiva, livres de válvula. Mesmo aqueles que já possuem válvula, podem ser submetidos à retirada das mesmas após neuroendoscopia.

Os equipamentos atuais passaram por um tremendo processo de miniaturização, simplificação e ganho de qualidade. Um neuroendoscopio tem entre quatro e seis milímetros de diametro e quatro canais com várias funções , as imagens podem ser digitalizadas imediatamente e gravadas em DVD, as fontes de luz são hoje mais potentes e duráveis e as cameras com a já conhecida “alta definição”. Todos os aspectos citados contribuem para maior segurança e efetividade do procedimento com índice de complicações muito baixos comparado com as válvulas.

* Neurocirurgião, Assistente- Doutor da Disciplina de Neurocirurgia da UNIFESP, Médico LINCX

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